sexta-feira, 18 de maio de 2007

Andarilho pelo trilho...
... ou trilho pelo andarilho?

(Marcello Gazzola)

Andarilho móvel, livre em sua prisão
Que quis mergulhar no fundo do céu
E voar para o “alto e além” do mar
Trocar as estrelas.

As de longe que cintilavam na escuridão
Pelas de perto, cobertas por um véu
Fundir os azuis em um, se libertar
Subir e descê-las.

Iluminar com cinco pontas o mundo
Andar ou nadar ou voar pelo fundo
Ou superfície, já não se sabe direito
Impossível entender o perfeito.

E lá, à total deriva da sorte
Acorda da vida para a morte
Depois de dormir por tantos anos
Agora livre do que eram instantes
Pode continuar com seus planos
Os de antes.

De data mais longa que sua vida
Mas agora o tempo não existe
E nem a data, que é logo esquecida
Não lembra como ser feliz ou triste

Pensa e sente diferente
Mais indiferente

Pois agora é o circuito das águas
E não a água que corre
Limita-se apenas a ser ‘a verdade’
Sem rancor, alegrias ou mágoas
Não caminha nem percorre

Virou trilho imóvel preso à liberdade

Livre da dor e do amor, totalmente ileso
E é por isso mesmo que se sente preso
Descobriu buscar a liberdade em vão
Já que toda liberdade pressupõe uma prisão.

1 comentário(s):

Tovar disse...

CARALHO CARA, ESSE É O POEMA.

"Andarilho móvel, livre em sua prisão"

"Impossível entender o perfeito."

"Virou trilho imóvel preso à liberdade "