Andarilho pelo trilho...
... ou trilho pelo andarilho?
(Marcello Gazzola)
Andarilho móvel, livre em sua prisão
Que quis mergulhar no fundo do céu
E voar para o “alto e além” do mar
Trocar as estrelas.
As de longe que cintilavam na escuridão
Pelas de perto, cobertas por um véu
Fundir os azuis em um, se libertar
Subir e descê-las.
Iluminar com cinco pontas o mundo
Andar ou nadar ou voar pelo fundo
Ou superfície, já não se sabe direito
Impossível entender o perfeito.
Acorda da vida para a morte
Depois de dormir por tantos anos
Agora livre do que eram instantes
Pode continuar com seus planos
Os de antes.
De data mais longa que sua vida
Mas agora o tempo não existe
E nem a data, que é logo esquecida
Não lembra como ser feliz ou triste
Pensa e sente diferente
Mais indiferente
Pois agora é o circuito das águas
E não a água que corre
Limita-se apenas a ser ‘a verdade’
Sem rancor, alegrias ou mágoas
Não caminha nem percorre
Virou trilho imóvel preso à liberdade
Livre da dor e do amor, totalmente ileso
E é por isso mesmo que se sente preso
Descobriu buscar a liberdade em vão
Já que toda liberdade pressupõe uma prisão.
1 comentário(s):
CARALHO CARA, ESSE É O POEMA.
"Andarilho móvel, livre em sua prisão"
"Impossível entender o perfeito."
"Virou trilho imóvel preso à liberdade "
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