terça-feira, 19 de junho de 2007

A Pianista.

Pianista, eu te adoro.
Seus dedos me hipnotizam
Dançando em chão de teclas
Pesam sobre o branco e ora preto
Ágeis, delicados, precisos em seu balé
Criando sons.
Concretiza sua dor
Em doces notas suplicantes
Poetiza do amor
Realiza sua mágica
Envolve-me em sua música
Que soa como nós
E voa livre através do tempo, compassos
Seu lamento, preenchendo espaços
Antes vazios, corações...
Varre minha mente
Me livra de preocupações
Enquanto permaneço em silêncio
Ouvindo só o universo sonoro
Da dimensão em que estamos
Escutando imóveis ficamos
E treme o chão, o céu desaba
A chuva desce a estrada
Quebra os vidros,
Adentra a sala como que chamada
Por seu piano...
Que você toca distraída,
Tornando momentos preciosos
Sem saber do mundo lá fora.
Todo inundado de água
Que num cair rítmico,
Contínuo,
Te enaltece, pianista,
Amor à vista!

terça-feira, 12 de junho de 2007

Vivo por viver

Pois deve ser menos pior que morrer
Sem parar por um segundo
De bem lá no fundo
Viver por viver
E sofrer
Pois vivo por viver
Mas também por não ter
Nem mesmo idéia do que fazer
Nessa vida onde me limito a apenas ser.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

“Pois é...
Mais uma pra esquecer
Mais um copo! Por favor...”

Desapaixonado, o sangue estanca,
A mente manca,
...não adianta, meu amigo,
Tentar.

A dor não vai passar, não
Nem te levante do chão.

Até que outra apareça
Alguma que talvez mereça
Todo esse amor que você não tem para dar
Toda essa ilusão que só termina em tristeza
Alguém que mereça entrar.

Esses copos não adiantam,
Assim como tuas paixões,
Que secam num gole
Numa só noite se vão
Só deixam lembranças
Indesejáveis, como as tolas e todas
Esperanças.

Então acenda mais um
E esse talvez funcione
Pois acaba aos poucos,
Sem impacto algum
Sem que te decepcione...

E te leva junto, pra sempre.
Ou não é isso que queres?

terça-feira, 29 de maio de 2007

Anoiteça


Minha alma convive em harmonia
Com a morte que se aproxima cada dia
E tudo ao lado se esvai...
Pra onde a vida agora vai?
Foge desse corpo onde vive em nostalgia
Que eu não quero mais nada do que vivia
Hoje já não faço nada do que fazia
Pela vida passo, sou a sombra d'alegria
Jogar-me-ei do prédio
Matar-me-ei por tédio
Salve-me quem puder
Salve-me quem quiser
Pois já nem me importa mais
Tudo o que no mundo se faz
Poderia comprar uma passagem só de ida
Pra escadaria aos céus, e longe dessa vida
Viajar pra infinita fonte
E a morte/sorte que me corte
Ao meio ou num monte
Que não ligo, meu amigo
Pro que acontece comigo
Pro que acontece.
Me esquece.
Anoitece.

sábado, 19 de maio de 2007

A Saga do Ser de Luz!

(Marcello Gazzola)


Ela chegou do espaço como quem sabia e assim
Sorriu para mim, em meio ao deserto de janelas
Ela, as estrelas e o resto
Disse que os anjos falaram que aqui faltavam cores
Só precisava plantar flores, e ensinar tudo de novo
A esse povo, do universo
E girou para mim todo o resto do mundo, esquecido
Falou que não mais se lembrava de onde havia partido

Mas perguntou se eu queria ir com ela, viajar
Pra gente se pôr, espalhar no amor dos homens
E na paz dos olhos, perfurados pela luz de vela lunar

Não entendi, mas resolvi que queria ir
Foi o dia em que me descobri diferente
E então me tornei reluzente, e cresci
Aprendi a ver e usar minhas asas
Que sempre estiveram ali
Reconheci minha forma alada
Não sei de onde, não sei de quando
Raios saíram de minhas asas douradas,
Majestosas e viris - um ser luminoso planando

Enquanto voava, lembrei minha antiga missão

Estiquei os braços e sementes caíram de minhas mãos
Replantamos as pessoas e o sol nasceu diferente

Agora vamos juntos, que já podemos partir
Voltar pras estrelas, de onde viemos, no fundo
Obrigado por ter me lembrado que não sou eu desse mundo

Voltemos pra falar com os anjos
Nossos irmãos, que já não está mais escuro
Pro espaço voltei, pra brilhar contigo, o futuro
Essa face re-conhecida do ser astral de luz!

Mas ainda não me sinto realizado e completo
Acho que ainda tem muito mais
Mistérios que o universo me guarda
Aguardam, a serem descobertos!
Quem sabe num buraco negro aberto
Enigmas do tempo de “astronautas” do espaço
Quero alcançar a misteriosa fonte da vida
Para então reoriginá-la sobre a corrompida

Quero ser envolvido pela luz maior
Em gozo cósmico, avançará a bruma
Até que tudo suma
E eu me tornarei atemporal
Um som sideral e uma melodia uníssona total

Germinam astros estelares em meu passar
Milhares de riscos e traços brilhantes
De minhas asas saem raios cintilantes
Deixo buracos! Velocidade da luz! Velocidade da luz!

Estico os braços e tento alcançar
Me esforço, me distorço - irei até a morte para ver a luz!
E eu continuo com força, tentando me aproximar
Meus olhos branqueiam
Minha pele desfaz-se
Minhas asas se cortam
Meu corpo transforma-se
E se junta, encerrando minha imagem disforme

Um ganido demoníaco e aterrador!
Espirais concêntricos se desfazem!
Há confusão nos complexos paralelos!
Caos! Convulsão! Desordem! E então...

Um grito
Uma explosão

Um segredo sussurrado ecoando pelo ex-espaço.


(Quem precisa de drogas quando se tem uma imaginação dessas hein? ;D hahahahahahah!!)

Esse ainda tá morno, feito agora

Cadê minha bitola?
Vou vestir a indiferença

Cansativo,
Eu, vegetativo
Num mundo supostamente lucrativo
Perdendo minha vida

Eu acho que também quero um deus

Cadê minha bitola?
Vou investir numa crença

Mas o que me cansa mais
Mesmo, são vocês
E ela

Sorte que permanece fechada a janela,
Que as vezes me faz ter umas miragens
Fico pensando em melhores imagens
Que as que vejo por aqui

Vazio repetitivo
Eu, vegetativo
Num mundo supostamente lucrativo
Perdendo minha vida

Pros vícios, pro tempo que você me custa
Pra espera, pra busca

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Andarilho pelo trilho...
... ou trilho pelo andarilho?

(Marcello Gazzola)

Andarilho móvel, livre em sua prisão
Que quis mergulhar no fundo do céu
E voar para o “alto e além” do mar
Trocar as estrelas.

As de longe que cintilavam na escuridão
Pelas de perto, cobertas por um véu
Fundir os azuis em um, se libertar
Subir e descê-las.

Iluminar com cinco pontas o mundo
Andar ou nadar ou voar pelo fundo
Ou superfície, já não se sabe direito
Impossível entender o perfeito.

E lá, à total deriva da sorte
Acorda da vida para a morte
Depois de dormir por tantos anos
Agora livre do que eram instantes
Pode continuar com seus planos
Os de antes.

De data mais longa que sua vida
Mas agora o tempo não existe
E nem a data, que é logo esquecida
Não lembra como ser feliz ou triste

Pensa e sente diferente
Mais indiferente

Pois agora é o circuito das águas
E não a água que corre
Limita-se apenas a ser ‘a verdade’
Sem rancor, alegrias ou mágoas
Não caminha nem percorre

Virou trilho imóvel preso à liberdade

Livre da dor e do amor, totalmente ileso
E é por isso mesmo que se sente preso
Descobriu buscar a liberdade em vão
Já que toda liberdade pressupõe uma prisão.

Desse eu tenho precisado lembrar mais!

No que ainda não foi vivido
No vazio que já foi esquecido
No que não foi em nós imbuído

Na contramão de todo o conhecido
(Marcello Gazzola)

É engraçado como todos temos tanto a aprender
Independente de onde estejamos
O que determina o fim não é a linha de chegada
É até aonde agüentamos percorrer
O importante é cada passo que damos
Valorizando o percurso e não o fim da estrada

Andemos sem saber pra onde vamos
Sem nos deixar guiar por nenhum padrão
Sem seguir o encalço de qualquer religião
Guiemo-nos por estrelas ou cometas
Seguindo com um mapa sempre na mão
Mas em branco, um mapa de imaginação

Siga-o seguro, não importa aonde os outros vão
Explore o mundo
E ainda assim será pouco
Não se contente com a sua primeira impressão
Vá mais fundo
Seja o que chamam de louco

Sem relógio nem noção de tempo
Dono de todo e qualquer instante
De viver intenso, com prazer imenso
E sem hora, se demora bastante
Pelo sempre agora que só acaba distante
Preocupa-te em ser feliz e em ser assim

Na estrada, no caminho
Com todos, e sozinho
No enorme infinito
No que há de bonito
Em movimento contínuo
Um vivedor assíduo
Em você e em mim,
E sobretudo no fim

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Desejos, Metas, Medos e Anseios

(Marcello Gazzola)


E lá vem mais um ano.
Mais um ano.
Desejos. Metas. Medos. Anseios.
De novo.

Só que, de novo, não tem nada.
Tudo o que se faz já se fez.
Desejos. Metas. Medos. Anseios.
Mais uma vez.

O tédio de uma vida sem surpresas.
O cansaço de todas as nossas certezas.
O limite a que suportamos o óbvio,
desejos, metas, medos e anseios.

E se passa o que se faz?
Enlouquece pra fugir da paz.
Um pouquinho de ódio,
desejos, metas, medos e anseios.

Mas nós somos os mesmos,
e nós somos as lesmas!

Querendo apressar passos pro amanhã
Deixando o agora pra depois
Fugindo do presente que acorda conosco,
Toda manhã.

Porque tudo é sem graça,
o vinho na taça,
as pessoas na praça
os desejos, metas, medos e anseios.

E assim a vida passa.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Ah, esse ano tem sido muito corrido e difícil! Por isso, tenho escrito mais poemas malucos esses dias (mais tarde postarei alguns aqui) porque a vontade de extravasar fica maior! E também tenho escrito mais desapegado daquela vontade de deixar o poema esteticamente bonito, e viva a espontaneidade! Essa do post é o tipo da poesia de momento feita em 3 minutos sem interferências de perfeccionismo, só o que veio na cabeça na hora, então não esperem muito! Abraaaços!

O Cantar de Outras Aves
(Marcello Gazzola)


Silêncio...
Os pássaros ficaram roucos
De tanto cantar para nós
Cantemos agora para eles
Até que fiquemos sem voz
E esperemos então alguém
Que nos cante canções
De sonhos, de ETs, de quem somos
Até que suas cordas vocais nos enlacem
E lancem ao espaço para sermos aves
Aí seremos os pássaros que ficaram roucos
Loucos de tanto cantar para as naves!